segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O incrível mundo das equivalências


Experimente pedir para que um aluno de Ensino Médio do Brasil, que nunca fez curso de Inglês, para lhe dizer o significado da seguinte frase: “Hey, what’s up” e “How do you do?”.  A resposta mais provável será “Hey, o que é em cima?” e “Como você faz?”. Se você fala Inglês ou ao menos participou da primeira aula de um curso, saberá que as duas frases equivalem a exatamente o mesmo significado em português, sendo ele: “Como vai você?” ou “Tudo bem?”.

Assim como no Português, no Inglês também podemos dizer a mesma coisa com várias estruturas diferentes. Muitos acreditam que o que muda de uma pessoa para outra, de uma região para outra ou de um país para o outro é o sotaque, mas o que realmente muda é o ser humano, que é único, e essa individualidade sempre será refletida no jeito de cada um se expressar.

De acordo com André Luiz Martins, professor há mais de 25 anos e diretor da Fly Idiomas, cada cultura possui suas particularidades, sendo assim tornou-se obsoleto trabalhar-se o aprendizado dos idiomas como estruturas fixas, pré-concebidas e traduzidas. “Cada um tem sua maneira de se expressar, o que acarreta uma variedade de estruturas distintas que comunicam uma mesma ideia.  O ensino de um novo idioma deve levar em conta esse fator”, afirma.

Ensinar Inglês com o auxílio de equivalências, as quais são não uma tradução literal, mas a expressão do significado de uma frase, é uma prática consideravelmente jovem. Segundo André, foi a cerca de 15 anos que as metodologias de ensino de um segundo idioma começaram a evoluir de uma forma padronizada, impessoal e descontextualizada, que levavam anos para atingirem resultados, para formas contextuais, culturais e interativas. “Há uma tendência atual de ensinar  com o auxílio de metodologias que levem em conta as diferenças culturais entre os aprendizes de uma segunda língua. A experiência prática de Michael Lewis, o primeiro a utilizar as equivalências, provou-se eficaz e lançou luz a novas possibilidades e métodos mais eficientes de ensino”.

Atualmente no Brasil, principalmente no sistema público de ensino, ainda ensinamos uma segunda língua a partir dos métodos mais tradicionais, que, apesar de terem seus méritos e funcionarem como uma ferramenta de ensino há anos, necessitam de atualizações e melhorias. “O ensino de idiomas no Brasil não faz parte de uma política pública, não há um plano de ensino para as escolas, os alunos costumam ver e rever os mesmos assuntos durante os anos de estudo”, conta André Luiz Martins.

É fato de que as salas de aula possuem um grande número de alunos, o que impossibilita a prática do idioma e gera um aprendizado voltado a provas e ao vestibular e não ao efetivo aprendizado de uma segunda língua para efeitos de comunicação. “Há uma grande dificuldade de se ensinar e aprender Inglês em nossas escolas, tanto públicas quanto particulares. O cenário, em regra, é de cerca de 30 alunos por turma, poucas horas de aula e uma metodologia voltada a tradução”, afirma André.

Hoje, no mercado de ensino, existem novas e mais eficientes metodologias, as quais poderiam ser aplicadas e trabalhadas com planejamento e treinamento dos professores para efetivamente formar falantes de um segundo idioma. “As equivalências são uma ferramenta negligenciada no sistema público, mas que no privado toma conta de todas as escolas e vem ajudando a formar falantes hábeis a se comunicar em menos de três anos, exatamente o tempo do Ensino Médio em nosso País”, explica André.



Metodologias Modernas

As mais modernas metodologias de ensino de idiomas são as que levam em conta a interação entre indivíduos, o foco na comunicação e na prática, o uso de equivalências e o uso de contextos realísticos, que representem situações possíveis reais e diárias.

As mais conhecidas são a lexical, a audiolingual, a sociointeracionista e a comunicativa, bem como os métodos que combinam o que há de melhor em cada uma delas.